segunda-feira, 16 de maio de 2016

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

na pausa da escrita, escrevo:



O buraco


Sente falta do
desenho próprio da escrita
não da escrita,
do próprio

do desenho que não palavra,
mas do desenho
da palavra, aquele
que ela mesma desenha 
súbita e lentamente
(a palavra)


com os olhos vendados




o desenho existe 
e continua em existência.



Sente falta da silhueta
do seu pensamento quando
vendados, 
ou descobertos



senta no próprio sono
e desdenha.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Breve currículo

nasceu. foi, voltou. foi mestranda. tinha uma irmã. estudou música, morava em casa, leu, participou com, tocou com, foi aluna, foi professora, morou na frança, foi bem humorada, teve leveza, foi dedicada. falava francês, entendia inglês. foi feliz. fumou (2002/2013). teve cachorros, muitos. pesquisou pitanga e acerola. dançava. 

atualmente, visita seu blog raramente, gosta de açaí (desde 2000) e dialoga com duas gatas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Carta Breve



Eu queria te contar muitas coisas. Uma delas é que você morreu. Queria te dizer que você morreu jovem e bonita e queria te falar de todas as pessoas que eu conheci depois que você morreu. Vi aquele filme, queria te contar também. Ainda vejo uma foto sua e me pergunto para onde você foi e lembro que tenho que entender que você não foi, que você não, agora. Queria te dizer que ainda há muito o que viver aqui, mas você não vai vim ver. Eu queria te contar, em todas as tuas existências. Queria te contar, mas antes gostaria de te ver. Não sonho mais com sua voz. Para onde ela foi, a sua voz? Antes, gostaria de te ver. E pegar em suas mãos, e ficar em silêncio, com você, em suas mãos, e em seus antebraços cruzados com os meus. Queria te contar, como te conto em silêncio, pela pele que vê e escuta os mesmos ventos que eu. Minha irmã, agora eu me te imito. Rasgo sangue pelos lábios de minha boca, e me perco loucamente, nos grilhões dessa correnteza.














terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ri Ofélia


Fazia tempo e você

e eu

Corria

a noite,

para dentro do ineterno.








(http://opheliaisthirsty.blogspot.com.br/2010/09/danca-para-loucura-de-ofelia-dancing.html)



Ophelia is thirsty, I'am triste.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Do barco


"Mas o que ja desde os Antigos existe nos homens
é esse desejo de contato
que certas más interpretações direcionam
para a lâmina o que deveria dirigir-se
para o erótico movimento de desapertar
a blusa da mulher amada.
Erros no caminho, eis como tal se poderia
                                                 [descrever."


domingo, 27 de maio de 2012

Primeira Janela




Olhos da sétima altura (no entanto o som é velho).
                                               
Por debaixo dos telhados

Criança de rosa ou corre ou colhe ramos.    




terça-feira, 8 de maio de 2012

Solo



"Pas un bruit sinon les vieux souffles et les pages tournées lorsque soudain cette poussière le lieu tout entier plein de poussière en rouvrant les yeux du plancher au plafond rien que poussière et pas un bruit sinon qu'est-ce qu'elle t'a dit venu parti est-ce que c'était ça quelque chose comme ça venu parti venu parti personne venu personne parti à peine venu parti à peine venu parti".




Beckett, 1986. 
Cette Fois


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Samba da notificação



E naquele dia mesmo, aguardava ansiosamente pelo Nouveau.
Desejava-o desonestamente, esperando que ele fosse lhe surpreender
(acabou sendo desonesta com si mesma, uma vez que esperou por ele e ainda se zangou com ele).

Foi então nesse momento, que deve ter durado um ou dois dias, que na espera da realização do seu desejo, de uma ligação, de uma trombada na rua, um encontro, de um leão,
ou de seu nome escrito por acaso em cima de uma porta de uma loja qualquer,
que ela escuta, dentro de seu quarto escuro, uma notificação
(acabava de aprender essa palavra, notificação).

Toma pelos braços o celular,
toca-o com a ponta do dedo,
observa, notificando-se do novo, o quão seu coração palpita.
Num gesto único - tudo isso num mesmo instante só - ela abre seu novo envelope e dentro dele está escrito:


"Salve os Rinocerontes".





quarta-feira, 4 de abril de 2012

Encore




o silêncio que vem do meu

                                                                                   Desejo, procurando o silêncio

parole, leve denso
                           dança,  língua pulsante
                                                             
De um beijo profundo,

beijo
(beijo infinito).





.







.

quarta-feira, 28 de março de 2012

LI FU-JEN



(Chine/Japon/Lyon)






à amada esquiva


Li Fu-Jen


sim? não?
não? sim?
ora! agora?
                                    paro
                                    olho para

(ruflam passos-pluma)
                                   
                                   ela

pluma ante pluma
demora!

(Han-Wu-Ti/ Haroldo de Campos)






Plusieurs temps-espaces, peut-être innommable. 
(Foto de Gustavo Jardim)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Rhumb



Paul Valéry:

- "Ce qui est le meilleur dans le nouveau est ce qui répond à un désir ancien".

- De novo    (?)

(sem pontuaçao? - sem imperativo.).


quinta-feira, 1 de março de 2012

E as cidades estão tortas





"Atravessa as águas também, excelente amigo Bloom,
quebra o mar em dois.
O mar é um mamífero,
o barco, o punhal do sacrifício.
Porque, como todos os animais,
o mar so é arrogante
até encontrar o seu dono.
Falamos do mar, mas talvez
seja a terra e o céu que exigem ser descritos.
Bloom, Bloom, Bloom."


Memória


"Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo
vàs directo à realidade
e nao pares. Porque nao basta
encostares-te aos acontecimentos,
o que pensamos para ti é bem mais profundo,
nào basta conheceres sete teorias,
terás que subir a sete altas montanhas.
E atravessar ainda os continentes
como se a terra fosse uma extensão temporal
capaz de medir os teus dias."


Oceano


"Víscera que esquece menos que a cabeça - o coração.
Se queres informações sobre o passado,
fala com os homens de uma cidade,
mas se desejas surpreender de uma vez a
sabedoria primária
passa uma tarde ao lado de um animal
sem linguagem.
Nem tudo o que se passa
pode ser escrito, eis o que ja sabíamos."







excertos de Gonçalo M. Tavares
Uma viagem à India

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Walser, lieders, ritournelles



Il n'est pas réciproque 
le transfert.
J'ai du transfert avec Robert Otto Walser
Bartleby
et aussi, avec la femme du Senegal que j'ai vu aujourd'hui avec ses trois petits enfants.


Il n'aime pas Walser, ni Bartleby; il aime les lettres et la parole. 


Le transfert c'est l'amour?
- "Je ne veux pas sortir du lit".
Il n'existe plus.
Je veux sortir du lit.
Il n'existe plus.

















segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

e fazer algo com o impossível



"Grave incertitude, toutes les fois que l'esprit se sent dépassé par lui même; quand lui, le checheur, est tout ensemble le pays obscur où il doit chercher et où tout son bagage ne lui sera de rien. Chercher? pas seulement: créer. Il est en face de quelque chose qui n'est pas encore et que seul il peut réaliser, puis faire entrer dans sa lumière."















sábado, 26 de novembro de 2011

...

"You are speaking of the meaning...

of our life...

of the unselfishness of art...

Take music, for instance."